Biocombustível podem originar mais CO2

Cientistas, ecologistas e até governos europeus criticam os ganhos ambientais e económicos dos biocombustíveis, a via defendida pela União Europeia para que a médio prazo o sector dos transportes seja mais amigo do ambiente. O coro de críticos condena o impacto que a fonte de energia terá em zonas como a América do Sul e a Indonésia, a alteração no preço dos alimentos, a criação de um modelo de forte exploração da mão-de-obra agrícola, a dependência das grandes multinacionais e a criação de uma estrutura industrial que vai aumentar as emissões de dióxido de carbono.

Foi o primeiro-ministro português, na qualidade de Presidente do Conselho Europeu, quem estabeleceu as metas energéticas da União Europeia para a próxima década, onde os biocombustíveis têm papel de destaque. “O carácter vinculativo da meta de 10% para 2020 é adequado, ainda que haja condições a respeitar, entre as quais: a sustentabilidade da produção de biocombustíveis e o início da comercialização dos biocombustíveis de segunda”, afirmou José Sócrates na Conferência Internacional sobre Biocombustíveis, realizada em Julho de 2007, em Bruxelas.

Mas a questão não é pacífica no interior da UE. Recentemente, Robert Watson, assessor do primeiro ministro do Reino Unido para as questões ambientais, recomendou ao governo britânico que estabelecesse uma moratória em relação às quotas estabelecidas pela UE para a implantação de biocombustíveis, por ter sérias dúvidas em relação à contribuição da fonte energética na redução das emissões de dióxido de carbono para a atmosfera.

Para os ecologistas, uma das questões mais graves dos objectivos da UE prende-se com o facto de, como informa um relatório da Agência de Avaliação Ambiental da Holanda, terem de ser cultivados 20 a 30 milhões de hectares necessários para chegar à meta dos 10% de utilização de biocombustíveis na União em 2020.

João Farinha, da Quercus, garantiu ao DN que a associação ambientalista não é, por principio, contra o uso de biocombustíveis, mas que ele deve obedecer a um processo sustentável. “A questão deve obedecer às condições locais, para que não se criem problemas com os solos e um sistema de exploração de mão-de-obra e de importação, que vai ter anexado outros problemas ambientais”.

Entre os problemas, os ecologistas alertam para a provável rotura de terrenos virgens, na Europa e noutros continentes, como a América do Sul, a utilização de fertilizantes, pesticidas e maquinaria pesada e a necessidade de transporte que o processo de fabrico do biocombustível implica. No final, teríamos uma situação perversa, em que as emissões de dióxido de carbono, em vez de diminuírem, teriam aumentado.

Pedro Vilela Marques

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