O gás natural nos transportes como alternativa ambiental e económica ao petróleo

Tem vindo a Amagás – Associação de Municípios da área metropolitana norte de Lisboa, a defender há mais de uma década a introdução do Gás Natural em Viaturas (GNV), como projecto ecológico e económico de grande importância para os munícipes, para as empresas e para o país.

A Área Metropolitana de Lisboa é uma zona do país onde existem os maiores índices de poluição atmosférica, os maiores problemas de tráfego e congestionamentos de trânsito.

Este conjunto de problemas coloca desafios sérios aos respectivos municípios, para os quais, o gás natural poderá dar um forte contributo para a sua resolução.

Não é preciso que a poluição atinja níveis dramáticos, como já acontece em muitas cidades a nível mundial, para se começar a tomar providências. Importa sim prevenir logo no início o desenvolvimento de situações prejudiciais para a higiene e a saúde públicas, como é o caso das emissões de chumbo, dióxido de enxofre, óxidos de nitrogénio, provocados pelo tráfego de veículos a gasolina e a gasóleo – além de partículas sólidas lançadas na atmosfera.

Verifica-se que, só nos nove municípios que neste momento constituem a AMAGÁS, foram vendidas 252.310 toneladas de gasóleo e 206.190 toneladas de gasolina durante o ano de 1995. Se forem feitas as contas relativas à poluição atmosférica resultante da combustão destas 458 mil toneladas de combustíveis, certamente que obteremos resultados alarmantes.

Assim, consciente do problema, a AMAGÁS pretende intervir para alterar progressivamente a situação, não só divulgando o GNV para os transportes como dando o exemplo programando acções que visem atingir esse objectivo.

O sector dos transportes é assim um alvo prioritário para as medidas destinadas a reduzir a dependência do petróleo e as emissões de gases poluentes e de efeito de estufa, como sejam as de redução da procura energética e de incremento dos combustíveis alternativos ao petróleo.

A importância do GNV

As preocupações com o aumento das emissões de Gás com Efeito de Estufa (GEE) e com a poluição, a par de outros factores (diversificação e segurança energética) têm estimulado o interesse em combustíveis alternativos.

As potencialidades do Gás Natural como combustível alternativo para o transporte rodoviário são enormes, pela sua abundância (reservas mundiais 17 vezes superiores ao petróleo) baixo custo (de produção e transporte) e pelas suas propriedades físico-químicas que lhe conferem excelentes características sob os aspectos de:

– Segurança pois em caso de acidente com a viatura não ocorrem incêndios;
– Performance dos motores e eficiência energética
– Custo ambiental: mais baixas emissões de GEE e reduzidas emissões de outros poluentes;

É além disso a alternativa tecnologicamente mais realista para o transporte rodoviário nas próximas décadas.
A Comissão Europeia aprovou um documento designado “Alternative Fuels for Road Transportation and Measures to Use of Biofuels”, onde se defende a substituição de 20% da gasolina e do gasóleo consumidos no sector europeu dos transportes, até 2020. Destes 20%, metade será para substituir por Gás Natural e o restante por hidrogénio, etanol e bio gás.
O objectivo traçado representa um potencial aumento do número de veículos a GNV da ordem dos 23 milhões e um consumo de cerca de 47 mil milhões de m3 de gás natural.

As pretensões e objectivos da AMAGÁS

Há mais de uma década que a AMAGÁS tem vindo a alertar a Administração Central (Ministérios do Ambiente e Economia, assim como a Direcção Geral de Energia e Direcção Geral de Transportes), através de ofícios e contactos para a necessidade de se legislar no sentido de promover o uso do Gás Natural no sector de transportes rodoviários.

Impõe-se, deste modo, o incentivo ao uso do Gás Natural Veicular nos sectores de transportes e produção de energia, apoiando as iniciativas municipais de vedar áreas urbanas à circulação de viaturas poluentes, privilegiando a vertente ambiental e económica, dando como alternativa o uso e circulação sem limitação, de viaturas a GNV, GPL ou Eléctricas.

Considera a AMAGÁS que se deverá estabelecer metas às empresas de transportes e operadoras de Gás Natural, assim como a instituições públicas, incentivando:

I. A introdução do GNV, nas frotas dos transportes municipais, assim como dos particulares, no âmbito de um projecto ambiental e económico para a região e para o país;
II. Os operadores de transportes públicos (autocarros, táxis e navegação fluvial), a renovarem as suas frotas para o GNV, a um ritmo mais elevado que o presentemente em curso, como forma de reduzir os níveis de poluição sonora e atmosférica;
III. Os operadores de redes de GN a aplicar um programa de instalação de Postos de Abastecimento Públicos de GNV, tendo em conta que a sua inexistência, para acesso aos particulares, impede a existência de um mercado de viaturas a GNV;
IV. Os particulares a transformar as suas viaturas para uso do GNV, como ocorre com o GPL, condição determinante para a dinamização deste mercado;

A importância económica e social do GNV

São inúmeros os países onde o crescimento anual da frota de viaturas a GNV tem um ritmo superior a 20%, alguns europeus, disponibilizando todos os construtores de viaturas, ligeiras e pesadas, modelos na modalidade de bifuel ou dedicados.
A expansão deste sector em muitos países, como é o caso do Brasil, Argentina, Índia, China, Itália, Alemanha, tem criado uma poderosa indústria de componentes e transformadores, geradora de um grande volume de empregos.
Para os cidadãos, as empresas e para o país estes objectivos, no entendimento da AMAGÁS podem revelar-se estratégicos, ao contribuírem para a redução da sua factura energética e a obtenção de evidentes benefícios ambientais e económicos.

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